O piano funky de Horace Silver

Estilo, personalidade e alegria nas composições do grande jazzista. Foto: PhotoStock.
Comprei a coleção da Folha, “Clássicos do Jazz” e a recomendo enfaticamente a todos que gostam de boa música. Embora esteja apenas engatinhando no amplo universo do jazz, já que o rock and roll sempre foi e será minha praia, a coleção é muito bem cuidada, com repertório bem escolhido e gravações restauradas que revelam o brilho dos originais. Dos volumes recebidos até agora, fiquei particularmente entusiasmado pelo som de Horace Silver, nascido Horace Ward Martin Tavares em 9 de setembro de 1928, em Norwalk, no estado norte-americano de Connecticut. Filho de uma doméstica e de um operário, Silver teve seu primeiro contato com a música pelas canções entoadas pelo pai, nascido na ilha de Cabo Verde.Mais tarde, na adolescência, começou a tocar piano e saxofone. E teve a oportunidade de desenvolver seu talento no terreno mais do que fértil da década de 50, onde tocou ao lado de grandes como Thelonious Monk, Bud Powell e Stan Getz, que o levou a Nova York. A partir daí, Silver decolou como músico e desenvolveu um estilo suingado e funky muito antes de alguém ter noção do que era isso. Anos depois, foi apontado como um dos pilares do estilo denominado hard bop ou soul jazz. Suas gravações, ouvidas hoje, têm um frescor e vitalidade atemporais, daquelas de ficar estalando os dedos e assoviando junto. Mesmo quem não conhece jazz notará algo de familiar ao ouvir “Song for My Father”, um de seus maiores sucessos. Silver, que completará 80 anos neste ano, é um dos últimos dos grandes do jazz ainda vivos. Se você ainda não conhece o trabalho dele, experimente.
Escrito por Alessandro Pinesso às 11h26
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